Programa do Festival

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Temas do Festival - Antônio Lázaro de Almeida Prado



Alegria de ser


Ser sempre tão simples

Como o sonho livre

Da infância.

Ser tão grato à vida

Como o dom, gratuito,

Do canto.

Ser um eco puro

Do valor arcano

Da vida.

Ser, tão simplesmente,

Como o vôo livre

Dos pássaros...


Antônio Lázaro de Almeida Prado






ÍNTEGRO




E nós

suspensos

Entre a cebola e o arco-íris;

E nós

prensados

Entre a batata e a rosa;

E nós

pendentes

Entre o amargor e o sonho

Entre o açafrão e a lua;

E nós

sofridos

Entre a chegada e a ida

Entre o arrebol e a noite

Miramos

Desde a longínqua ilha

O continente íntegro.

Antônio Lázaro de Almeida Prado


DEIXA FLUIR TEU CANTO...


Deixa fluir teu canto, livremente,

Deixa brotar a lágrima, espontânea,

O sonho é antevéspera da aurora,

Que sempre é puro dom, oferta pura.

Deixa afluir em ti a tua infância

Presente e atuante e promissora...

O tempo não cancela o olho d’água

De que procede o imenso rio da vida.

Deixa que a voz, liberta das amarras,

Entoe um canto simples, despojado,

Que imite o puro som do enamorado,

E seja, como o vento, sem medidas.

Deixa a vida pulsar, sem freio ou diques,

Qual puro balbuciar de uma criança.

Deixa que a vida te conduza sempre

Qual faz o vento à imponderável pluma...

Assis, 27 de junho de 2007

Antônio Lázaro de Almeida Prado


O DOM DA ALEGRIA


Assim como da aurora nasce o dia,

Assim como da flor brota perfume,

Assim, meu doce amor, toda alegria

Em ti se reinventa e se resume.

Vem de ti, como certo se presume,

O prazer de viver, que se irradia

Em fluxos de calor como de um lume

Que, aceso, dá vigor à melodia.

Desta se tece a chama de meu verso

Herdeiro do calor que se renova

Como a face feliz do universo.

Assim de ti provém a sempre nova

Nascente de alegria, em que, submerso,

Renasço, superior a toda prova.





OUSADIA


Ousa o sonho

Alça o vôo

Olha as estrelas

Sopra forte

Sobe o tom

Rompe as amarras.

Acrescenta

Ambição

Aos teus projetos.

Ousa mais,

Incapaz

De andar rasteiro.

Sobe mais

Que és capaz

De alto vôo...

Antônio Lázaro de Almeida Prado


POEMA: EVA


Do osso de meus ossos

Liquefeito

Da carne de meu ser

Compendiado

Vênus de carne e osso

(Ah! Botticelli…)

Meu poema procede

Do núcleo de meu sono

Retirado

Do cerne de meu sonho

Recolhido

Forma, precioso parto

Adâmico...

E fui pai e fui filho

Em gênese

E gerei a que gera,

Construída

Do sopro de meus sopro

Do osso de meus ossos

Da luz de meu viver:

Poesia...

http://ciclodaschamas.blogspot.com/

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